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DIÁRIO DA COVID-19 NO NORDESTE

CE-O Povo on Line, G1, saude.ce.gov.br, Estadão; MA-R7,Folha, UOL, Congresso em Foco; RN-Tribuna do Norte, G1, covid.lais.ufrn.br; BA-G1, saude.ba.gov.br; PE-G1, Folha PE, Diário de Pernambuco, Estadão, Rádio Jornal Pernambuco.

Sobre a pandemia do coronavírus no país, é comum encontrar nos relatos dos meios de comunicação menções aos casos numerosos de contágio e mortes nas regiões sudeste e sul do Brasil, nos grandes centros urbanos, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Porém, mais alarmante do que as internações já noticiadas nas citadas regiões é o crescimento do vírus no nordeste brasileiro.

O Ceará, um dos estados da região recordista de casos, é também um dos mais transparentes sobre dados de coronavírus no Brasil. Até a quinta-feira, dia 16 de abril, foram contabilizados 2.413 dados confirmados, sendo que dos 184 municípios cearenses, 75 possuíam casos confirmados da doença, com um grau de letalidade em torno de 5,6%. A capital, Fortaleza, registra o maior número de casos (2.041 infectados), bem como o maior número de mortos (96 óbitos). Até a citada data, 169 pessoas estavam hospitalizadas em UTIs por conta do novo coronavírus e desse total 113 estavam em hospitais de Fortaleza. Segundo a Secretaria da Saúde do governo do estado, foram disponibilizados serviços de telemedicina, serviço que consiste no emprego da tecnologia para, à distância, oferecer atendimento a pacientes e orientação a profissionais de saúde. O serviço conta com o apoio de infectologistas, pneumologistas e intensivistas, trabalhando em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Mas não é só de ações de políticas de saúde, voltadas para o combate ao vírus, que tem se debruçado o governo cearense. Na tentativa de neutralizar notícias falsas nas redes sociais, sobre redução do pagamento da remuneração dos servidores, o governador, Camilo Santana, foi até os meios de comunicação, e denunciou as fake news, lembrando o decreto de calamidade pública publicado desde o dia 1º de abril, enfatizando um dos pontos do decreto, que era a necessidade de isolamento social.

Em Pernambuco, a taxa de letalidade dos casos mais alta das registradas no Brasil chamou atenção, com 160 mortes dentro de 1.683 confirmações até o dia 16, podendo chegar a mais de 2.000 casos até o final de semana. A média brasileira de óbitos por conta do contágio do vírus é de 5,9%, enquanto que a cifra pernambucana atinge a marca de 9,56% de falecimentos dentre os casos confirmados. Conforme a Secretaria de Saúde local, os dados sobre a doença podem ser até cinco vezes maiores do que os informados oficialmente, levando-se em conta a ausência de testes com os contaminados assintomáticos. A doença atinge fortemente os agente de saúde, com 43 funcionários, de 700 profissionais que trabalham no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) já afastados. Até o início do mês, o perfil dos mortos pela COVID-19 no estado era majoritariamente de idosos, entre 64 a 95 anos.A capital, Recife, abriga 60% dos casos de coronavírus, de acordo com boletim da Secretaria Estadual de Saúde. Com expressiva marca de óbitos no estado, decreto do governo estadual determinou o fechamento de praias no final de semana, a fim de evitar aglomerações e a proliferação do contágio.

No Maranhão, contabiliza-se nesta semana mais de 800 infectados, com 40 mortes registradas. São 28 municípios com casos confirmados, sendo que a capital, São Luiz, tem a maior parte de casos e de mortes: 664 infectados e 35 óbitos. Diferentemente de outras regiões, onde há uma primazia de enfermos idosos, em termos de faixa etária, a maior cifra de casos dá-se entre pessoas dos 30 aos 39 anos (243 casos).

Entretanto, o maior destaque na semana da evolução da pandemia no estado maranhense foi uma manobra chamada de de “operação de guerra”, onde o governo maranhense driblou o governo federal na aquisição de respiradores para seus hospitais, conseguindo junto ao governo da China, que desembarcasse no aeroporto de São Luis 107 aparelhos, superando Estados Unidos e Alemanha, que tinham interesse na compra. O governo do Maranhão também conseguiu burlar obstáculos eventualmente impostos pelo governo Bolsonaro, interessado na compra dos aparelhos e centralização de sua distribuição, uma vez que a carga foi direto para o estado e não ficou retida em São Paulo, onde estaria sujeita à retenção pelo Fisco. Além dos respiradores foram compradas também 200 mil máscaras, com recursos obtidos junto a iniciativa privada, a partir de doações de empresários locais ao governo do Maranhão.

Esta semana, o Rio Grande do Norte apresentou um balanço de 463 casos confirmados de coronavírus, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESAP). Foram 23 mortes causadas pela doença, sendo que o número de suspeitos é de 2.184 pessoas. A maioria das mortes causada pelo vírus (cerca de 56%) é de pessoas acima dos 59 anos. O percentual de enfermos na faixa de risco chega a 86,9%, distribuídos em dez cidades do estado. O estado potiguar também ficou conhecido nacionalmente como o primeiro a ter a vítima fatal mais jovem: um recém nascido, falecido em decorrência de complicações por conta do contágio do vírus, no dia 8 de abril. O bebê havia nascido na capital, Natal, e contava com apenas quatro dias de vida.

Enquanto isso, na Bahia, em dados publicados no dia 17 de abril, o estado já conta com 92 novos caso registrados no dia, contabilizando mais de mil pessoas contaminadas com a COVID-19. O número total de infectados, segundo dados da Secretaria de Saúde, é de 1059 pessoas enfermas, com 36 mortes. Destas mortes, 18 ocorreram em Salvador e os outros falecimentos restantes estão distribuídos em 13 municípios baianos. Destaque para o fato de que, dos casos confirmados, 154 dos infectados são profissionais da saúde.

Dentre as vítimas célebres do coronavírus na capital baiana, destaque para a morte do funkeiro e personalidade das redes sociais, Mc Dumel. Morto aos 28 anos, o artista foi a 35ªpessoa a morrer de coronavírus na Bahia, após internamento na UTI do Hospital Couto Maia, em Salvador. O funkeiro, cujo nome de batismo era Diego Albert Silveira Santos, foi internado após ser diagnosticado com COVID e falecer apenas quatro dias depois, apresentando sintomas de febre alta e insuficiência respiratória.

Dos percentuais obtidos em cada estado de enfermos e mortos, entre uma maioria idosa ou em grupo de risco e observando um vírus que mata até mesmo recém-nascidos, o que se percebeu esta semana, no avanço do coronavírus na região nordeste, é que nem a qualidade do ar e a boa disposição climática de uma região tropical, são páreo ao contágio de uma pandemia tão intensa e em evidente curva de ascensão. Um ponto em comum em todos os estados da região é o comprometimento dos governos com as regras de isolamento social, baixando decretos com o fechamento unilateral do comércio, bem como a restrição ou até mesmo proibição de deslocamento em locais públicos. São apenas episódios, dos capítulos de uma pandemia que ainda terá muita história para contar, no país e para os brasileiros nordestinos.

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