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O EXEMPLO DE PERNAMBUCO

DIÁRIO DA COVID 19 NO NORDESTE

por Fernando Alves

Com a triste segunda colocação mundial em números de contágio e de mortes, o Brasil segue firme na curva de ascendência de contaminação do novo coronavírus, confirmando o que muitos analistas já estabeleciam no início da pandemia: com suas dimensões continentais e a má gestão da crise por governos populistas, a tendência seria a catástrofe pandêmica, exatamente o que vivem hoje o Brasil de Bolsonaro e Estados Unidos, de Donald Trump.

Prestes a chegar a um milhão de contaminados neste final de semana, e contabilizando mais de 47 mil óbitos, o pesadelo da Covid-19 parece ainda não ter data certa para terminar no Brasil; mas, ao menos, alguns estados da federação já parecem dar algum alento para os que nutrem a esperança de uma superação, a exemplo de outros países, que já começaram a reabertura de suas atividades e uma lenta flexibilização ao “novo normal” que está por vir. Nesta semana, ao menos seis estados apresentaram retração da pandemia. Segundo estudos realizados pela PUC do Rio de Janeiro, no relatório Covid 19 Analytics, estados como Acre, Amazonas, Maranhão, Pará, Roraima e Tocantins viram suas taxas de retransmissão rebaixarem para menos de 1. Isso significa dizer que nessas regiões, o ritmo de contaminação tem diminuído.

Caso curioso é o de Pernambuco. Outrora um dos recordistas em contaminações, no começo da pandemia o estado apresentava taxas altamente preocupantes de contágio, obrigando o governador, Paulo Câmara, a adotar um verdadeiro lockdown na capital, Recife, restringindo a circulação de pessoas e veículos com rígidas medidas de isolamento. O resultado é que o estado permaneceu 19 dias sem aumento na curva de contaminação, apresentando melhora significativa em sua rede de saúde, com reduzidos índices de contágio do novo coronavírus. Entretanto, esta semana, o valor de contaminações aumentou para 1,1, estimulando o governo estadual a acender o sinal vermelho. Em um estado onde, em Recife, o Prefeito Geraldo Julio autorizou a reabertura de praias e parques para caminhadas e ciclovias, recente editorial do jornal Diário de Pernambuco ressaltou que o momento era de apertar o cerco contra o vírus, e quaisquer medidas de relaxamento do isolamento social para retomada da atividade econômica deveriam ser acompanhadas de extrema vigilância por parte dos gestores públicos, não titubeando caso fosse necessário voltar atrás com a flexibilização.

Eis o grande dilema no Brasil: como e quando flexibilizar? O exemplo de Pernambuco demonstra que regras de rigidez quanto ao isolamento, acompanhados de uma flexibilização cautelosa e responsável são animadores quanto a estabilização dos contágios e, consequentemente, redução drástica de óbitos, mais ainda inquietantes quanto às contaminações de casos considerados mais leves. Nos últimos três dias, resultados laboratoriais confirmaram que 3.119 pessoas tiveram resultado positivo para a infecção em Pernambuco. A maioria delas foi diagnosticada com sintomas leves, mas isso não deve servir de pretexto para governos baixaram a guarda para a Covid 19.Afinal, como salientam epidemiologistas da Fiocruz, a redução de óbitos e do número de atendimentos por ambulâncias pode significar apenas um degrau da curva de um vírus que deixou de subir, mas que, necessariamente, não há indicação de que um degrau mais elevado não vá deixar de existir. O problema dos casos leves é que, com a flexibilização das regras de isolamento e abertura paulatina do comércio, com o retorno do funcionamento de estabelecimentos, trabalho, e da circulação de pessoas e serviços, pacientes assintomáticos ou pré-sintomáticos, aparentemente aptos a regressar às suas atividades, são agentes transmissores ideais para aqueles que tem comorbidades (como hipertensão e diabetes, por exemplo). Neste sentido, bom atentar com sabedoria para a realidade de regiões que tiveram um sucesso inicial no combate ao vírus ao reduzir as mortes e ocupação de leitos, mas ainda não ganharam a guerra contra a pandemia, pois decisões rápidas e difíceis quanto à saúde pública e desenvolvimento econômico tem que ser tomadas pelos governantes, sem rasgos irresponsáveis de populismo. Em poucas palavras: isolar ainda é preciso!

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